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Pet com leishmaniose pode viajar internacionalmente?

Países que testam leishmaniose, tratamentos aceitos e documentação para pet positivo.

A leishmaniose é uma das doenças que mais gera dúvidas e preocupação em tutores que planejam levar seu pet para o exterior. Alguns países exigem teste negativo, outros testam na chegada, e há destinos que simplesmente recusam a entrada de animais positivos. Se seu cão foi diagnosticado com leishmaniose ou vive em área endêmica, este guia explica tudo o que você precisa saber.

A doença é causada pelo protozoário Leishmania infantum (no caso da leishmaniose visceral canina), transmitida pela picada do flebotomíneo — o mosquito-palha. O Brasil é um dos países com maior incidência no mundo, o que faz com que diversos destinos tenham regras específicas para cães brasileiros.

Países que exigem teste de leishmaniose

País/Região Teste exigido Prazo Resultado necessário
Austrália Obrigatório para cães Dentro de 45 dias antes do embarque Negativo
Nova Zelândia Obrigatório para cães Dentro de 30 dias antes do embarque Negativo
Japão Pode ser solicitado na inspeção Variável Negativo
Singapura Obrigatório para cães de áreas endêmicas Dentro de 30 dias antes do embarque Negativo
Malásia Pode ser exigido para cães do Brasil Dentro de 30 dias antes do embarque Negativo
Hong Kong Pode ser exigido na importação Variável Negativo
Taiwan Pode ser exigido para cães de áreas endêmicas Dentro de 30 dias Negativo
Nota: A União Europeia e os Estados Unidos não exigem teste de leishmaniose como condição de entrada. Porém, a leishmaniose é endêmica no sul da Europa (Espanha, Portugal, Itália, Grécia, sul da França), e veterinários locais podem testar o animal durante consultas de rotina.

Pet com leishmaniose positiva: pode viajar?

A resposta depende do destino:

Destinos que proíbem a entrada de cães positivos

  • Austrália: entrada recusada. Não há exceções — cão positivo para leishmaniose não entra no país
  • Nova Zelândia: mesma regra da Austrália. Resultado positivo impede a entrada
  • Singapura: cães positivos são recusados ou colocados em quarentena prolongada

Destinos que permitem a entrada com condições

  • União Europeia: não testa na entrada, mas o animal deve estar em tratamento e acompanhamento veterinário. Em alguns países (como Espanha e Portugal), há obrigação de notificar a doença e registrar o animal como positivo
  • Estados Unidos: não exige teste nem proíbe entrada de cães positivos. Porém, tratamento disponível nos EUA pode ser diferente e mais caro
  • Reino Unido: não exige teste específico de leishmaniose, mas veterinários britânicos monitoram a doença em cães importados

Tratamento antes da viagem

Se seu cão é positivo e você planeja viajar para um destino que permite a entrada, é essencial estar em tratamento veterinário antes e durante a viagem:

  • Alopurinol: medicamento de uso contínuo mais comum no tratamento da leishmaniose canina. Reduz a carga parasitária e controla os sintomas
  • Miltefosina (Milteforan): tratamento oral aprovado em muitos países. Protocolo geralmente de 28 dias
  • Antimoniato de meglumina (Glucantime): usado no Brasil, mas não disponível em muitos países — o tutor deve levar estoque suficiente ou verificar alternativas no destino
  • Domperidona: imunomodulador usado em alguns protocolos europeus
Atenção: O Glucantime (antimoniato de meglumina) não é facilmente encontrado nos EUA e em vários países europeus. Se seu cão usa esse medicamento, consulte o veterinário sobre alternativas disponíveis no destino ANTES da viagem.

Documentação necessária para pet com leishmaniose

Se o destino permite a entrada do animal positivo, prepare a seguinte documentação:

  1. Laudo do teste sorológico: resultado completo com método utilizado (ELISA, RIFI ou teste rápido), data da coleta e laboratório responsável
  2. Histórico de tratamento: relatório veterinário detalhando medicamentos utilizados, datas de início, doses e resposta clínica
  3. Atestado de aptidão para voo: declaração do veterinário de que o animal está clinicamente estável e apto para o estresse da viagem
  4. Receitas dos medicamentos: para transportar medicamentos controlados na bagagem, você pode precisar de receita em inglês ou no idioma do destino
  5. Exames recentes: hemograma, bioquímicos (função renal e hepática) e urinálise — a leishmaniose pode causar insuficiência renal, e o veterinário do destino vai querer ver esses dados

Riscos da viagem para cães com leishmaniose

Mesmo que o destino permita a entrada, considere os riscos para a saúde do animal:

  • Estresse do voo: viagens longas aumentam o estresse, que pode causar recaída ou piora dos sintomas em animais imunossuprimidos
  • Mudança de clima: pets com leishmaniose podem ter dificuldade de adaptação a climas muito diferentes, especialmente frio extremo
  • Acesso a medicamentos: nem todos os medicamentos usados no Brasil estão disponíveis no destino
  • Custo veterinário: o acompanhamento de leishmaniose no exterior pode ser significativamente mais caro do que no Brasil
  • Transmissão: em áreas endêmicas do destino (sul da Europa), seu cão pode ser reinfectado ou transmitir para outros animais via flebotomíneos locais

Leishmaniose no destino: áreas endêmicas no exterior

Se você está levando um cão negativo para leishmaniose, saiba que alguns destinos populares possuem a doença endêmica:

Região Risco de leishmaniose Precaução recomendada
Portugal (todo o país) Alto, especialmente Alentejo e Algarve Coleira repelente (Scalibor), vacina preventiva
Espanha (litoral e interior) Alto, especialmente Levante e Andaluzia Coleira repelente, pipeta repelente
Itália (centro-sul) Moderado a alto Coleira repelente, telas nas janelas
Grécia Alto Coleira repelente, evitar áreas rurais ao anoitecer
Sul da França Moderado Coleira repelente nos meses quentes
Norte da Europa (UK, Alemanha, Escandinávia) Muito baixo ou inexistente Risco mínimo
EUA e Canadá Muito baixo Risco mínimo
Dica: Se você vai para Portugal ou Espanha, considere aplicar a vacina contra leishmaniose (Leish-Tec no Brasil ou LetiFend/CaniLeish na Europa) e usar coleira repelente (como Scalibor) desde antes da viagem. A coleira Scalibor é facilmente encontrada na Europa e tem eficácia comprovada contra o mosquito-palha.

Tipos de teste de leishmaniose aceitos

Os testes mais comuns e aceitos internacionalmente são:

  • ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay): detecta anticorpos contra Leishmania. É o mais utilizado e aceito pela maioria dos países
  • RIFI (Reação de Imunofluorescência Indireta): também detecta anticorpos. Considerado padrão-ouro no Brasil
  • PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): detecta DNA do parasita. Mais sensível, mas nem sempre exigido como requisito de importação
  • Teste rápido (imunocromatografia): resultado em minutos. Pode ser aceito para triagem, mas alguns países exigem ELISA ou RIFI como confirmação

Verifique qual teste o país de destino aceita. Para Austrália e Nova Zelândia, geralmente é necessário ELISA ou RIFI realizado em laboratório aprovado.

Perguntas frequentes

Meu cão teve leishmaniose, tratou e agora testa negativo. Pode viajar?

Se o teste recente é negativo, o animal pode viajar para qualquer destino que exija o teste. Porém, a leishmaniose pode ter recaídas. Mantenha o acompanhamento veterinário e leve a documentação completa do tratamento. Alguns laboratórios emitem laudos com títulos baixos (não reagente) que são aceitos como negativos.

Gatos podem ter leishmaniose?

Sim, gatos podem ser infectados por Leishmania, embora seja menos comum do que em cães. A maioria dos países não exige teste de leishmaniose para gatos, mesmo quando exige para cães. Porém, se o gato apresentar sintomas, consulte um veterinário antes da viagem.

A vacina contra leishmaniose é aceita como substituta do teste?

Não. A vacina protege contra a doença, mas não substitui o teste de diagnóstico. Aliás, cães vacinados podem ter resultados falso-positivos em alguns testes sorológicos — informe o laboratório se o animal foi vacinado, para que utilizem método adequado.

Posso levar Glucantime na bagagem para o exterior?

Depende do país. Muitos países permitem o transporte de medicamentos de uso veterinário em quantidade compatível com o tratamento, desde que acompanhado de receita veterinária e declaração de necessidade. Para os EUA e UE, leve a receita traduzida para inglês ou idioma local. Consulte as regras alfandegárias do destino.

Se meu cão pegar leishmaniose no destino (Portugal, por exemplo), o tratamento é diferente?

O protocolo de tratamento na Europa geralmente usa miltefosina + alopurinol ou antimoniato de meglumina + alopurinol. Os medicamentos são similares, mas as marcas e disponibilidade podem variar. O acompanhamento veterinário na Europa tende a ser mais caro, mas os protocolos são bem estabelecidos.

Quanto tempo antes da viagem devo fazer o teste?

Depende da exigência do país: Austrália pede dentro de 45 dias, Nova Zelândia e Singapura pedem dentro de 30 dias antes do embarque. Mesmo para destinos que não exigem, ter um teste recente (últimos 30 dias) é recomendável para sua própria segurança e para facilitar o cadastro veterinário no destino.

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