educativo ⏱ 7 min de leitura Publicado em 9 de março de 2026

10 erros que impedem pets de embarcar — e como evitá-los

Os erros mais comuns no processo de transporte internacional de pets: ordem errada das etapas, laboratório não aprovado, CVI vencido e mais.

Depois de acompanhar centenas de famílias no processo de transporte internacional de pets, alguns padrões de erro se repetem com frequência alarmante. Erros que custam meses de atraso, dinheiro perdido, e, no pior cenário, a separação do pet. Este artigo documenta os 10 mais comuns para que você não os repita.

Erro 1: Vacinar antes de implantar o microchip

Por que acontece: O tutor vai ao veterinário, recebe a vacina antirrábica, e só depois descobre que precisava do microchip primeiro.

Por que é grave: A UE, Austrália e Japão exigem que o microchip esteja implantado antes ou no mesmo dia da vacina antirrábica. Se a vacina foi aplicada antes do microchip, toda a contagem (30 dias para sorologia + 90 dias de espera) precisa ser reiniciada após implantar o microchip e revacinar.

Como evitar: A ordem é imutável: microchip → vacina → sorologia → CVI. Nunca inverta.

Erro 2: Fazer a sorologia em laboratório não aprovado

Por que acontece: O veterinário manda para um laboratório particular local que faz "sorologia antirrábica", mas não está na lista de laboratórios aprovados pela UE/APHA/DAFF/MAFF.

Por que é grave: O resultado não é aceito pelo país de destino. O tutor gasta o dinheiro da sorologia, perde meses e precisa refazer em laboratório aprovado.

Como evitar: Exija que a sorologia vá ao CENARGEM/Embrapa (Brasília), o principal laboratório aprovado no Brasil. Confirme que o CENARGEM está na lista do seu país de destino específico antes de coletar.

Erro 3: Não respeitar o prazo de 90 dias após a sorologia

Por que acontece: O tutor recebe resultado positivo e acha que já pode embarcar. Ou confunde a data da coleta com a data do resultado.

Por que é grave: A UE exige aguardar 90 dias a partir da data do resultado positivo (não da coleta). Tutores que embarcam antes disso têm o pet retido na fronteira.

Como evitar: Anote com destaque a data do resultado e calcule os 90 dias a partir dela. Use nossa Calculadora de Prazo para verificar a data mínima de embarque.

Erro 4: Emitir o CVI muito cedo (ou muito tarde)

Por que acontece: O tutor quer "adiantar" a papelada e emite o CVI semanas antes do voo. Ou deixa para a última hora e não consegue atendimento.

Por que é grave: O CVI tem validade de apenas 10 dias a partir da data de emissão. Emitido muito cedo = vence antes do embarque. Emitido na véspera = sem tempo para resolver problemas.

Como evitar: Emita o CVI entre 7 e 4 dias antes do voo. Isso dá margem para endosso SISESP (pode levar 1–2 dias úteis) e para resolver imprevistos, sem risco de vencer.

Erro 5: Não verificar a política da companhia aérea para a raça

Por que acontece: O tutor faz toda a documentação e só depois descobre que a companhia não aceita a raça do pet (comum com braquicefálicos).

Por que é grave: Documentação perdida, custos não reembolsáveis, pet não embarca.

Como evitar: A primeira coisa a verificar, antes de qualquer documentação, é se a companhia aérea da sua rota aceita a raça do seu pet. Ligue diretamente para a companhia, não confie em sites de terceiros.

Erro 6: Confundir regras da UE com regras do UK

Por que acontece: Antes do Brexit (2021) as regras eram as mesmas. Muita gente ainda usa informações antigas.

Por que é grave: O UK pós-Brexit tem exigências específicas: laboratório APHA (não apenas UE), tratamento com Praziquantel para cães (obrigatório), formulário Health Certificate GB diferente do certificado UE. Usar o processo da UE para o UK resulta em recusa na chegada.

Como evitar: Trate o UK como um processo completamente separado da UE. Nosso guia específico sobre o Reino Unido detalha cada diferença.

Erro 7: Não agendar o transporte com antecedência

Por que acontece: O tutor compra a passagem e assume que o pet vai automaticamente. Ou descobre próximo ao voo que o limite de pets no voo já foi atingido.

Por que é grave: Companhias aéreas têm limite de pets por voo (geralmente 2 na cabine, alguns no porão). Sem reserva confirmada, o pet não embarca.

Como evitar: Ao comprar a passagem, imediatamente ligue para a companhia e reserve o transporte do pet. Confirme por escrito (email) a reserva.

Erro 8: Usar caixa de tamanho errado

Por que acontece: O tutor compra pelo peso do pet, não pelas medidas. Ou usa a mesma caixa que usa em viagens nacionais de carro.

Por que é grave: Caixa pequena demais: o pet não consegue ficar de pé, recusada no check-in. Caixa muito grande: excede as dimensões permitidas para cabine.

Como evitar: Meça o pet (altura em pé, comprimento, largura) e calcule a caixa pelas medidas, não pelo peso. Verifique as dimensões máximas da companhia antes de comprar.

Erro 9: Dar sedativo sem avaliação veterinária

Por que acontece: O tutor fica preocupado com o estresse do pet e decide dar um calmante "para ajudar".

Por que é grave: Sedativos em altitude podem causar depressão respiratória, hipotensão e morte, especialmente em braquicefálicos. A IATA desaconselha sedação de animais em voos.

Como evitar: Nunca administre sedativo sem avaliação veterinária específica para viagem aérea. Existem alternativas mais seguras (ver nosso artigo sobre calmantes em voo).

Erro 10: Não verificar o aeroporto de destino

Por que acontece: O tutor compra voo direto para uma cidade menor que não tem Posto de Inspeção Fronteiriço (PIF) veterinário.

Por que é grave: Pets de países terceiros (como o Brasil) só podem entrar pela UE em aeroportos com PIF ativo. Chegar em aeroporto sem PIF pode resultar em devolução do animal.

Como evitar: Antes de comprar o voo, verifique se o aeroporto de chegada tem PIF. Para a UE: Faro (Portugal) e muitos aeroportos menores não têm PIF. Use Lisboa, Porto, Madrid, Paris CDG, Frankfurt ou outros hubs principais.

Bônus: o erro mais caro de todos

Iniciar o processo com informações desatualizadas da internet, artigos de 2019 sobre regras que mudaram em 2021 (Brexit), 2024 (CDC para cães) ou que usam dados de outros países. Sempre consulte a fonte oficial do país de destino e, se possível, uma empresa especializada que acompanha as atualizações em tempo real.

Nota: Este artigo tem fins informativos. As regras de transporte internacional de pets mudam frequentemente e sem aviso prévio. Não nos responsabilizamos por informações que possam estar desatualizadas. Confirme sempre com profissionais especializados antes de tomar qualquer decisão.
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