Relato: como Paula levou Thor, seu Boxer, para Berlim
Paula foi transferida para Berlim e levou Thor, seu Boxer de 4 anos. Descobriu que Boxers não são proibidos na cidade, navegou pelo PIF de Frankfurt e registrou o cão com o número de Hundesteuer.
Paula, engenheira de 33 anos de Belo Horizonte, foi transferida para Berlim pela empresa de tecnologia onde trabalhava. Com ela viria Thor, seu Boxer de 4 anos — exatamente uma das raças que mais geram dúvidas no processo para a Alemanha.
O medo inicial: Boxer é proibido na Alemanha?
Esta foi a primeira pesquisa de Paula quando recebeu a proposta de trabalho. A resposta é: não há proibição federal de Boxer na Alemanha. O Boxer não está na lista de raças proibidas (como Pit Bull, Tosa, Dogo Argentino). Mas há regulamentação estadual que varia — e Berlim tem regras específicas.
- Berlim: Boxer não é proibido, mas está na lista de "raças monitoradas" do estado de Brandenburg (arredores)
- Na cidade de Berlim: Boxers são aceitos, exigem registro, mas sem restrições além do padrão
- Focinheira: não obrigatória para Boxers em Berlim — mas recomendada em transporte público
O processo
Paula tinha 7 meses antes da transferência. O processo para a Alemanha exige sorologia — o maior gargalo:
- Mês 1: Microchip confirmado (Thor já tinha), vacina antirrábica aplicada (reforço dentro da validade)
- Mês 1, dia 32: Coleta de sangue para sorologia no CENARGEM em Brasília (Paula viajou de BH)
- Mês 2, dia 12: Resultado chegou — 0,82 UI/mL. Positivo. Contagem de 3 meses iniciou
- Mês 5: Com os 3 meses cumpridos, Paula marcou a viagem para o mês 6
- Mês 6, 8 dias antes: Health Certificate UE emitido pelo MAPA em BH
- Dia do voo: GRU→FRA (Lufthansa), Thor no porão
O momento mais difícil: entregar Thor no check-in
"Foi o pior momento. Ver a caixa desaparecer pela esteira foi devastador. Fui para o avião com a cabeça a mil — e só parei de pensar nele quando aterrissei." Paula chegou a Frankfurt após 11h30 de voo.
Frankfurt: o PIF e a inspeção
No PIF de Frankfurt, Paula foi recebida por um inspetor que falava inglês. A inspeção levou 45 minutos:
- Verificação do microchip: número bateu com o Health Certificate — primeiro alívio
- Sorologia: data, hora, número do laboratório e assinatura — tudo conferido
- Vacina antirrábica: válida
- Thor foi liberado sem problemas — Paula o abraçou por vários minutos na área de bagagens
Berlim: registro e Hundesteuer
- Registro na Gemeinde: feito online em berlin.de — Thor ganhou um plaquinha metálica amarela (Hundemarke)
- Hundesteuer (imposto de cão): EUR 120/ano para Thor — raça sem classificação especial de risco
- O número do Hundesteuer deve ficar na coleira — é como o "RG" do cão em Berlim
Thor se adaptou ao apartamento em Prenzlauer Berg
Berlim é famosa por ser dog-friendly — Thor rapidamente se tornou um frequentador do Volkspark Friedrichshain e do Tiergarten.
- U-Bahn (metrô): Thor viaja com bilhete reduzido (Ermäßigter Fahrschein) — sem focinheira exigida
- Restaurantes: muitos aceitam cães — especialmente biergartens ao ar livre
- Inverno em Berlim: Thor (Boxer de pelo curto) precisou de casaco — temperaturas de -10°C a -15°C
O que Paula aprendeu
- "Comece pela sorologia. O resto é fácil. A sorologia define tudo."
- "Verifique a raça no estado específico — Alemanha federal é diferente de cada Bundesland."
- "Treine o cão na caixa meses antes — Thor dormia na caixa dele. O voo foi mais tranquilo por isso."
- "Chegue no PIF com todos os documentos na mão, não na mala."
Paula e Thor moram em Berlim há 2 anos. Thor já viajou de trem para Amsterdã e Paris com o EU Pet Passport — o que ela chama de "o melhor investimento burocrático da vida."
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