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Vira-lata (SRD) em viagem internacional: tudo que você precisa saber

Guia para levar vira-lata (SRD) para o exterior. Sem restrições de raça, documentação e dicas específicas para cães sem raça definida.

Se você tem um vira-lata (SRD — Sem Raça Definida) e está planejando uma mudança internacional, saiba que seu cão pode viajar para qualquer país do mundo sem nenhuma restrição de raça. Aliás, SRDs têm uma vantagem significativa sobre muitas raças puras: não sofrem com as proibições que afetam braquicefálicos e raças consideradas perigosas em alguns países. Este guia cobre tudo o que você precisa saber para levar seu vira-lata para o exterior.

Boa notícia: Vira-latas não enfrentam nenhuma restrição de raça em companhias aéreas ou países de destino. O processo documental é exatamente o mesmo de qualquer cão de raça. A única variável que importa é o tamanho e peso do animal — que determina se ele vai na cabine ou no porão.

Vantagens do SRD em viagens internacionais

1. Sem restrições de raça em companhias aéreas

Companhias aéreas que restringem raças braquicefálicas (Bulldog, Pug, Shih-Tzu) ou de grande porte não têm qualquer restrição para SRDs. Desde que o animal esteja saudável e dentro dos limites de peso/tamanho da caixa, qualquer companhia que aceite pets aceitará seu vira-lata.

2. Sem proibição em nenhum país

Alguns países têm listas de raças perigosas proibidas ou com restrições:

  • Reino Unido: Proíbe Pit Bull Terrier, Tosa Japonês, Dogo Argentino e Fila Brasileiro
  • Alemanha: Restrições para "raças perigosas" em alguns estados
  • Austrália: Proíbe Pit Bull, Dogo Argentino, Fila Brasileiro, Tosa e Presa Canário
  • Dinamarca: 13 raças proibidas

SRDs não estão em nenhuma lista de raças proibidas. Mesmo que visualmente se assemelhem a uma raça restrita, o documento veterinário os classifica como "SRD" ou "mixed breed", o que os isenta dessas proibições.

Cuidado com aparência: Se seu SRD tem aparência que lembra raças proibidas (tipo Pit Bull, por exemplo), alguns países podem questionar na chegada. É recomendável que o veterinário descreva detalhadamente o animal no CVI e inclua fotos. Em casos extremos, um teste de DNA pode ajudar a comprovar que não se trata de raça proibida.

3. Saúde geralmente mais robusta

Vira-latas tendem a ter menos problemas respiratórios, cardíacos e articulares que afetam raças puras. Isso significa:

  • Menor risco durante o voo
  • Melhor adaptação a variações de temperatura e pressão
  • Recuperação mais rápida do estresse da viagem

A variável principal: tamanho e peso

Como SRDs variam enormemente em tamanho, a classificação para transporte depende exclusivamente do peso:

Peso do SRD (com caixa/bolsa)Modalidade de transporteTipo de embalagem
Até 8 kg (animal + bolsa)CabineBolsa flexível sob o assento
8 a 32 kgPorão pressurizadoCaixa IATA rígida
32 a 45 kg (animal + caixa)Porão ou cargaCaixa IATA extra-grande
Acima de 45 kg (animal + caixa)Carga viva apenasCaixa IATA gigante

SRD pequeno (até 6-7 kg): viajando na cabine

Muitos vira-latas brasileiros são de porte pequeno a médio. Se o seu pesa até 6-7 kg, ele provavelmente cabe na bolsa de transporte aprovada e pode ir na cabine. Essa é a opção mais confortável e segura.

  • Bolsa flexível que caiba sob o assento (máx ~43 x 31 x 20 cm)
  • Reserva antecipada obrigatória na companhia aérea
  • O pet deve ficar dentro da bolsa durante todo o voo
  • Custo: EUR 60 a EUR 200 por trecho

SRD médio (8-25 kg): porão pressurizado

A maioria dos vira-latas brasileiros se encaixa nessa faixa. O transporte é no porão pressurizado em caixa IATA.

  • Caixa IATA tamanho 300 a 500, dependendo das medidas do cão
  • Meça seu SRD: comprimento, altura e largura + 10 cm em cada dimensão
  • Custo: EUR 150 a EUR 400 por trecho

SRD grande (25+ kg): carga ou porão

Vira-latas de grande porte seguem as mesmas regras de cães de grande porte de raça. Caixa IATA 500 ou 700, e algumas companhias só aceitam como carga viva.

Documentação: exatamente igual a cão de raça

Não há diferença alguma na documentação exigida para SRDs. O processo completo depende do país de destino:

Para a União Europeia (Portugal, Espanha, etc.)

  1. Microchip ISO 11784/11785
  2. Vacina antirrábica (30+ dias após microchip)
  3. Sorologia antirrábica (30+ dias após vacina, resultado ≥ 0,5 UI/mL)
  4. Aguardar 90 dias após coleta da sorologia
  5. CVI emitido pelo MAPA (validade 10 dias)
  6. Certificado sanitário UE

Para os Estados Unidos

  1. Microchip
  2. Vacina antirrábica
  3. CDC Dog Import Form (desde 2024)
  4. CVI

Para Argentina, Uruguai, Paraguai

  1. Microchip
  2. Vacina antirrábica
  3. CVI
  4. Tratamento antiparasitário

Como o SRD é descrito nos documentos

No CVI e nos certificados veterinários, o SRD é descrito como:

  • Raça: SRD (Sem Raça Definida) ou "Mixed Breed"
  • Cor: descrição detalhada (ex: "caramelo", "preto com manchas brancas")
  • Porte: pequeno, médio ou grande
  • Peso: peso exato na data do exame
  • Pelagem: curta, média ou longa
  • Microchip: número de 15 dígitos
Sobre a descrição: Como SRDs não têm padrão de raça, a descrição física detalhada e o número do microchip são ainda mais importantes para identificação. O veterinário deve ser o mais específico possível — cor, marcas, cicatrizes, tamanho das orelhas, tipo de cauda. Em alguns países, fotos do animal anexadas ao CVI podem ser solicitadas.

Adotou no exterior e quer trazer para o Brasil?

Muitos brasileiros que vivem no exterior adotam vira-latas locais e depois precisam trazê-los ao Brasil. O processo de importação para o Brasil é relativamente simples:

  • Health Certificate do país de origem
  • Vacina antirrábica em dia
  • Tratamento antiparasitário
  • Microchip
  • Inspeção pelo VIGIAGRO na chegada

O Brasil não exige quarentena e não tem lista de raças proibidas.

O caramelo brasileiro pelo mundo

O vira-lata caramelo virou símbolo nacional e é motivo de orgulho para muitos tutores que emigram. Algumas curiosidades:

  • Vira-latas caramelos brasileiros têm fenótipo surpreendentemente consistente — pelo curto dourado, orelhas médias, porte médio (~15 kg)
  • Esse "tipo" é resultado de seleção natural e se adapta excepcionalmente bem a diferentes climas
  • Comunidades brasileiras em Portugal, EUA e outros países frequentemente compartilham histórias de seus caramelos no exterior
  • A adaptação costuma ser rápida, pois SRDs tendem a ser mais flexíveis e resilientes que raças puras

Dicas específicas para viajar com SRD

1. Sociabilidade pode variar

Diferente de raças criadas para convivência humana, alguns SRDs — especialmente os resgatados da rua — podem ter histórico de trauma ou medo. Se o seu cão tem ansiedade, trabalhe isso com um adestrador comportamental meses antes da viagem.

2. Acostume com a caixa de transporte

SRDs de rua podem nunca ter sido confinados em caixa. O treinamento deve começar semanas antes:

  • Deixe a caixa aberta em casa com cobertor e petiscos
  • Alimente dentro da caixa
  • Feche gradualmente: 5 min → 15 min → 30 min → 1h → 2h
  • Nunca force — associação positiva é fundamental

3. Check-up veterinário completo

SRDs resgatados podem ter condições de saúde não diagnosticadas. Faça um check-up completo com hemograma, bioquímico e avaliação cardíaca antes de planejar a viagem. Algumas condições podem contraindicar o voo.

4. Castração pode ser exigida

Alguns países e localidades no exterior exigem ou recomendam fortemente a castração de cães. Se o seu SRD não é castrado, verifique a legislação do destino.

Custos para transportar um SRD

ItemSRD pequeno (cabine)SRD médio (porão)SRD grande (porão/carga)
Caixa/bolsa de transporteR$ 150-400R$ 400-1.000R$ 800-2.000
Documentação (UE)R$ 1.500 a R$ 3.500
Taxa aéreaEUR 60-200EUR 150-400EUR 300-600
Consultas veterináriasR$ 200 a R$ 500
Total estimadoR$ 2.500-5.000R$ 3.500-6.500R$ 4.500-8.500

Perguntas frequentes

Vira-lata pode viajar de avião para outro país?

Sim, sem nenhuma restrição de raça. SRDs são aceitos por todas as companhias aéreas que transportam pets. A documentação exigida é exatamente a mesma de cães de raça: microchip, vacina antirrábica, CVI e documentos específicos do país de destino.

Vira-lata tem alguma restrição de entrada em algum país?

Não. Nenhum país proíbe a entrada de SRDs. As restrições de raça que existem em países como Reino Unido e Austrália são para raças específicas consideradas perigosas — SRDs não se enquadram nessas listas.

Como descrever a raça do meu vira-lata nos documentos?

Nos documentos veterinários (CVI, carteira de vacinação), o campo raça é preenchido como "SRD" (Sem Raça Definida) ou "Mixed Breed" em inglês. A descrição física detalhada (cor, porte, pelagem, marcas) e o número do microchip são os principais identificadores.

Meu SRD parece um Pit Bull. Vou ter problema em algum país?

Possivelmente. Países como Reino Unido, Austrália e alguns estados alemães proíbem raças tipo Pit Bull, e animais com aparência semelhante podem ser questionados. Recomenda-se ter descrição veterinária detalhada e, se necessário, um teste de DNA para comprovar que não se trata de raça proibida.

Vira-lata se adapta bem a outro país?

Geralmente sim, e melhor que muitas raças puras. SRDs têm maior diversidade genética, o que os torna mais resilientes a mudanças de clima e ambiente. A adaptação comportamental depende do temperamento individual, mas no geral vira-latas são flexíveis e se ajustam bem.

Posso levar um vira-lata resgatado da rua para o exterior?

Sim, desde que o animal tenha toda a documentação exigida (microchip, vacinas, sorologia se necessário, CVI). Se o cão foi resgatado recentemente, o processo pode levar 4-6 meses até completar toda a documentação, especialmente para destinos que exigem sorologia.

Se você está planejando levar seu vira-lata para outro país, a Pet Viajante cuida de todo o processo — da documentação ao embarque — independente do tamanho ou raça do seu cão.

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